sexta-feira, 11 de julho de 2014

#82 - O sentido da vida faz a curva



O sentido da vida faz a curva. E a vida vai se fazendo. Não sou. Vou. E vou vivendo. Já experimentou a esquina depois do tédio? Pense, pense, pense, só não vire prédio. Saiba ser janela (e mantenha um pouco a vidraça que te acautela). Mergulhe, mergulhe, mergulhe, até entrar em quem te desvela. Todo redemoinho de cabelo é galáxia quando se estrela. O sentido da vida faz a curva. E para si. Pois a vida é toda dela. E só a gente que se esfarela. Se a vida corre pra morte, o sentido que morre é o teu. Teu sentir é que morreu. Mas o sentido da vida, a vida que sabe o seu. A vida faz uma curva no tempo desescolhido. Quem é vivo quer viver e sempre eleger sentido. Quem é vivo acende uma lamparina, faz estampido. Mas quem não é segue sem sentir. Na infinitude vetorial. Por isso o sentido da vida é dar sentido ao acidental. Transformar em corda de lira o fio do caos. Desenhar uma curva na linha do ir. A vida é sentir. O sentido da vida é que a vida que dá sentido. Mesmo que seja um sentido qualquer. Uma esquerda ou uma escolha para o que É. Mas quando me perguntam se há um sentido pra tudo. De início fico meio mudo. Com medo do lugar comum ou do absurdo. Mas eu digo que essa coisa de sentido é coisa de quem tem hora. Quem não tem pode se perder pelo verso a fora.