quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

#76 - Carhuasanta



Para Juliana de Almeida.

Vejo com bons olhos a demissão dos designers de eu interiores e os budistas-CEO. Pouco vale acumular o dinheiro empregado no revestimento das superfícies terrestres. Pouco vale as paredes pintadas de fora. Pouco importa todo o mistério da janela, depois de descobrir aquele amor que é simplesmente o bem viver no bem querer o outro. É preciso enfeitar o lar aéreo do outro. Mais do que enfeitar, é preciso saber morar nele. 

Por isso vejo com bons olhos a admissão dos geógrafos das superfícies etéreas. Para os viajantes, os que voam de barriga pra cima, e os que amam, não há ciência como a geografia das superfícies etéreas. Só o amor ou o emprego nos prendem à geografia das superfícies terrestres. Na geografia das superfícies etéreas não há meridianos, estados-nações, latifúndios, rios poluídos, gêiseres secos, vales industriais. Não há sequer geopolítica na geografia das superfícies etéreas. A geografia das superfícies etéreas não se ocupa do amor de revoluções utópicas. Ela se ocupa do estudo dos braços que se cruzam como rios e dos vulcões que se erguem como monumentos (capazes de destruir todos os outros, ocos).



 * Carhuasanta é uma das nascentes do Rio Amazonas, localizada no Peru. 

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