quarta-feira, 4 de julho de 2012

#73 - everllow


    
                                                   Para Borges



São tantas flores
bolores
dolores
                  duran
Que o estômago
vira  
           um bangalô de frustrações
Mas meu coração
resiste
            bangladesh de populações

Uma vez vi uma flor nascer no asfalto
Uma flor amarela
E até tu disseste que ela
                                       não ia viver
Uma flor no asfalto é um poema clichê
Mesmo metade Fausto
Metade Che

Alguém me contou da idade estelar
Da tal flor amarela
Disseram-me para nomeá-la
Com um nome só dela
Nome de quasar

O tempo foi-se e não me esqueci
Da tal flor amarela
Até que um dia a vi
Em outra ruela
Em outra janela
Até que um dia entendi
A flor amarela
                         morria
          Mas logo erigia
Outra ainda mais bela

 A flor amarela
restará sobre a neve
E tudo que se escreve
Todo never change
E o never Cummings
Restará com seu jeito
Incólume
De dobrar-se
Delicadamente
sob o vento invernal
Na adequação própria
Do seu movimento
às natações atômicas
da vida
A todas as permanências
Que dançam

Assim eu erijo uma flor amarela
                                      de despedida
Entre tantos gritos
greves
e gretas
                 garbo
Erijo uma flor amarela
Como minha última palavra
Ela que, mesmo morta,
Existirá em outrossim
Em outros eus de tantos fins
Ou em outra flor amarela
Enquanto houver flores
E elas

E quando não sobrar nada
Nem um Verbo de luz fuscada
Nem mesmo a risada do Vácuo
E tudo for flutuação
A inominável ausência de chão
Saberá só ela, só ela
Perseguir o devir-flor amarela
Sol florão

5 comentários:

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  3. Amei ele. Já vou te devolvê-lo em poesia. :)

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  4. http://www.youtube.com/watch?NR=1&v=jmdupj3KJkA&feature=endscreen

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