sexta-feira, 18 de maio de 2012

#71 - Rhino Rhyme


O chifre do fetichismo me cifrou. O hálito do leão das aliterações me aliciou. Hipopótamos hipócritas hype po po postmo. Dub-dromedários cheios de mágoa e não de água nas corcovas. Ovas de tainhas e trovas de poucas linhas digitais falando de nada e nadadeiras de tais axolotes e axiomas na minha epiglote. Glossários     de sufixos globalizantes adaptado a globicéfalos de mares distantes. Hienas-hífen e hienas-hiatos disputam eleições hilariantes. Elefantes instantes de humor John Fante já não duram o tempo de antes.

A ema do subdesenvolvimento que come o esclarecimento, que come o vento, que come... o alento, me comeu. 

A rima é o litoral da palavra. Por ela chega quem cava. Quem lavra. Quem lava. A dor. O ardor que cava e me lavra e me livra da palavra-amor. A rima é a periferia da poesia. Esquecem nela a primeira dança da afasia. A criança ansiosa para mergulhar na piscina de água fria. A lambança da sina do dia a dia. A flotação na rede da pescaria. A lotação que circula só na quebrada da Vila Maria. A rima é a periferia da poesia. Litoral da palavra. A rima escrava do ritmo. O literal istmo. Entre teu passo e o meu piso. O que friso. O que fixo. Sufixo. Sufrágio do ânimo. Âmago. A rima é a abreviatura do encontro. Do vento. Do Nós. Dos nós. A abreviatura do ventre. A viatura que chega e faz correr inocentes.

Un viento agudo raya el cielo de mi sueño
Y posa garza y blanco sobre la espuma
Sin deprenderse una única pluma
Y del azul como del blanco, es dueño


You don´t know me. My words have no fear. Because I see: Jamaican boys rhyming more than Shakespeare. Je vois un monde de Drummondes illisibles. Une rivière de Molières inaudibles. Dormindo em lodaçais esperando o fim. Sequestrando supermercados de emoções destemidas, desde mim. You hear their shoots. Então me escute. Lute. Não deixe que na sua boca coloquem o “mute”. Mude. Corajoso e rude, tipo Clint Eastwood. Sometimes I wake up tired of your bad mood. Eu comprei vozes marinhas para praticar o silêncio nesse mar de misunderstood. Para escrever cardumes coloridos e exercitar respirações diante da sua atitude. "I'm just a soul whose intentions are good". Oh Nina Simone, I´m so alone. I´m so alone. Sometimes I´m a rhino. Sometimes I´m a stone. Rhino Rhyme. Pouca paisagem pra muito Morricone.

Como una rima libre que escribo despanzurrando el horizonte
Sin letra ni palabras gritadas o leídas
Ágil como una garza, pero con la fuerza de un rinoceronte
Empezando y terminando como la vida


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