terça-feira, 15 de março de 2011

#58 - Antes que a palavra me convença




Para Thâmara Malfatti

Temo ser exceções sem açucenas. Ser o assunto eleito por palavras gris. O Bruno pode passar com sua voz rochosa, pois não será visto pelos homens vis. No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra, e era alguém que não me lê, mas que me diz. Soletremos nossa existência em deveraneios febris. Deixa de me ler enquanto num tour, nos perdemos ilegíveis  pelo português de Kuala Lumpur. A saudade é o nuestro albur. Comprei uma concessionária de vozes marinhas, mas eu tenho ouvido tapado, desde aquele abril (A vida é a flor torta que floresce na chaga, e o poema, a que floresce em fuzil). Enquanto ouço o revólver que devolve o tiro ao peito, de onde ele nunca, jamais saiu. Eu não levo jeito pra me atirar de parapeitos, não às três da tarde dos meus vinte e sete. Não serei o funcionário da felicidade de poucos cafajestes. Mas nem tampouco o servo da palavra excelsa. O débil relator, pobre de cotidianidades lexicais e sonolências.  Me deixa caber na voz ensurdecedora das manhãs onde o sol nascerá iluminando o esquecimento, cimento de convalescenças. Me deixa passar antes que a palavra me convença. Me deixa te amar que é tão mais fácil essa doença.

4 comentários:

  1. Muito bom...
    E a trilha... sem palavras... fui ao show dele aqui, demais, emocionante!
    Abs com carinho!

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. tristíssimo, eu sinto.
    lindo. eu sei, o poema e o poeta.
    duro, concreto, como a paulicéia desvairada (e com acento de 22)
    e merece o olho-roxo pela cara de pau - o personagem, "claro".
    SEI"

    bjs
    mais uma vez - TU É FODA! PARABÉNS !!!!

    BEL

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