quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

#56 - Azul e Trêmulo.


Eu no Cenote Sagrado de Ik Kil no México.

Sete homens esguios saem em fila do poema, eles são quase azuis, mon amour. São os leitores nunca lidos que esqueci no Mar de Savu. Meu Timor é um tumor tímido que arrecifa dentro de mim. Não me basta mais moças lindas e encabulados vocábulos sem fim. Quero mais filhos, mais folhas, mais fôlego, mais sins.

Beba os versos da minha soberba, moça bêbada de universos e reminiscências. Somos nós e os nós que damos que nos sustentam ante todas as ciências. Percamos paisagens distantes de climas amenos. Eu sempre sei um pouco mais do que antes, mas finjo saber menos. Pois escrevi 3 mil poemas e virei um demônio, minha flor. Ainda que tenha um metro e setenta: eu sou o amor!

Um rapaz afunda no submerso reino das palavras e fica azul, senhoril. Era eu com meus 16 anos mergulhando no Cenote Sagrado de Ik Kil. O deus Hunahpú contou-me da terrível solidão do escritor, e eu lhes avisei, mas ninguém ouviu. Meu México vai além do meu léxico e deságua na voz azul de um rio. Como o mar, o amor é apreensível senão uma parte, redil.

3 comentários:

  1. Li e reli. Fiquei com dúvida do quanto entendi.
    Li de novo e pensei: tantos são os sentidos aqui declarados.
    Daí, logo percebi, aqui tem grito mudo! E um bocado de sensações exploradas entre linguagens e matizes de azul, entre territórios longínquos e algum amor próximo, entre poder escrever (um escritor?) e pouco saber (mesmo sendo um escritor!).

    Bruno, estava devendo comentários por aqui... espero que esse seja o primeiro de outros. Suas palavras são firmes e deixam dúvidas na carne, neste, fiquei trêmula, de verdade.

    beijo e fique bem=)

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  2. muito bonito, a sonoridade e o sentido, música

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  3. "Somos nós e os nós que damos que nos sustentam ante todas as ciências."

    Perfeito.

    Somos os vidros desconfigurados do passado.
    Somos os dentes quebrados, rasgado diante do assalto
    Diante da midia somos calados por ser uma voz constante.
    Somos o instante das horas dividido pelo instante do caos que nos assombram diante as duvidas constantes nos fazem vivos.
    Somos nada menos que um mar de rosas nadando sob o ceu vermelhado de Stalingrado
    Somos refens e soldados
    Somos o inevitavel e evitavel humano
    quando todos dizem Amen!

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