segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

#67 - Sessenta

                                        Cordobazo, 1969




Eu não vivi em sessenta/ Mas sei como se inventa/ Com uma aguerreação emergencial/ Uma revolução social/ Basta ressuscitar a tal/ Sucuri-jugular/ Que engole o jugo do não-lugar/ Enquanto dirigíveis sobrevoam utopias/ Vomitar rios de sangue/ Evocar a água do mangue/ para que alague o gulag da alforria/ De um Fourier furioso com o auto-falante/ De seus falanstérios/ Que era mono e não estéreo/ O estereótipo de um homem livre hoje tem botões de comando/ Na blusa digital de domingo/ (Please click UNDO)/ Enquanto desbotam os flamingos/ Sob o sol que iluminou Vladimires/ (Y tu que ilumino, aunque no me mires?) E a minha íris/ Enxerga prato onde é pires/ Pato onde é patrão/ Poeta em poente, porém em porão/ Mas dirão/ Que não há revolução preso ao pensamento do século das luzes. Perguntam para quem escrevo se cito autores de Uzès? Não me acuse/ Pois enquanto você precisa de Uzis/ Ou cruzes/ Eu tenho mais olhos que o Doutor Mabuse/ E não use/ Câmeras como fuzis/ Porque um fusil não acerta um perfume/ O teu sonho é o cume, mas o meu é o lume/.Eu acredito que um homem voa, mesmo implume/. Ele fez cinema porque viu Blow Up/. Você porque fez Faap/. E eu tento no rap/ sem que a imagem desse deserto me escape/. Sorve o sol a galhardia dos dias seguintes/ E o presente com os seus acintes/. Eu não vivi em sessenta/ Tenho pouco mais de vinte/ Não assisti La hora de los hornos/ Não fiz piquete na aula do Adorno/ Mas se escrevo é porque sou quente, ou pelo menos, morno.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

#66 - Plexo



Talvez com
Gosto de nêspera
Talvez inespera-
damente
Talvez na véspera
Talvez com vespas
Zunindo no peito
No lugar do coração

Talvez com
Gosto de alcaçuz
Talvez assus-
tadamente
Talvez em Alcatraz
Talvez com albatrozes
E mares azuis desfeitos
No lugar do coração.

Talvez com
Gosto de tâmaras
Talvez emara-
nhadamente
Talvez na cama
Talvez com campânulas
Brotando sem jeito
No lugar do coração.

Talvez com
Convosco
Talvez com
Enrosco
Talvez sem
E semblantes
Espoquem
Ao amanhecer
Talvez com ou sem
O consentimento
Seu
E um sentimento de breus

Façamos um filho chamado sol

E nada mais,
E descanse à sombra o amor apagado das horas tais.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

# 65 - Oak Dreams


Para meu avô, Edison.

A morte é um tronco grande de carvalho que vovô derrubou quando eu era menino. Um tronco grande que depois de morto morou seco e imóvel no meio do jardim, abraçando-se à vida úmida ainda pulsante das flores e da grama incólume. Um tronco de carvalho que ao longo do tempo abrigou cupins, formigas e alguns esquilos no inverno gelado de 1932.  Foi dele que vovô retirou a madeira para o atinado caixão do biso Guillermo, que veio a falecer antes que nascesse minha Aurora. A morte é um tronco grande de carvalho que vovô derrubou quando eu era menino. Um tronco grande do qual papai fez aquele banco em que sentamos todos os sete, eu, ele, mamãe, Lucas, Rudolph, Zoca, e a prima Nina que se aconchegou do meu lado (com seus shorts rosado curtíssimo) numa foto tirada pelo Denver num verão antes da Guerra. Um tronco grande de carvalho do qual eu (querendo arremedar as habilidades da marcenaria de vovô e papai) fiz desconfortáveis assentos para o balanço de Cora. Ela que no auge da sua infância lançava-se ao vento sem que seus cabelos soubessem algo sobre os bombardeios. A morte é um tronco grande de carvalho que apodreceu durante décadas no velho terreno do Sul que herdei de papai. Uma terra fértil, e que me deu o sustento de filhos e netos, terra dos pungentes carvalhos robles, que sob suas sombras, derrubei-me numa tarde de outono e nunca mais levantei.   



                                         Dave Matthews - Gravedigger (Willie Nelson)

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

#64 - Poente

                                                                                                Diego Rivera, Puesta del Sol, 1956


Na vida, quem não acontece, anoitece. Eu não fui lido do outro lado por isso deitarei o sol aqui mesmo desse. Azar da sombra de alguém que me lesse. Deitarei o sol do mesmo lado que ele acorda. Se isso faz de mim um deus, ou um demônio, não sei, não importa. Sei que sou um homem incompleto, mas que transborda.

A vida engana. Às vezes a mão engasga e a boca esgana. A morte é sorte, o azar é zamba. A voragem de Deus te cega, e a coragem do diabo nega o Sol que lhe tampa. O ócio emprega. O negócio grampa. A perda une, a vitória pune. E na vitrola a canção é fúnebre e o silêncio é o que zune ensurdecendo homens impunes. A vida implume. A morsa é mansa, mas n’água avança contra a bonança. A vida cansa. Às vezes porque a dança já não é dança. Porque a moça almoça o prato dos dias frios. E o poema empoça. Já não é rio. Nem de Janeiro a março, abril. A prostituta é quem mais luta contra a mãe puta que lhe pariu. E na labuta, alguém comanda. E no descanso, a propaganda. Que vida bosta por estas bandas. E a perna grossa da moça roça uma na outra enquanto ela anda. E nada muda. A vida passa. O tempo gruda. Que fique a praça, que fique a gente. Naquela greve. Que fique a gente. Naquela neve. E o never change, e o never coming. Oh E.E. Cummings, quis ser poeta, mas sou poente.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

#63 - Thunderbird 66

 O  Ford Thunderbird 66 é o lendário carro usado no filme Thelma & Louise, de Ridley Scott

Você é tão frágil
Naufrague antes de escrever comigo
Please
Miss
             Braveness
                                       You think you are so brave!
Desapareça com seu olhar de Vanessa
                                                                     Redgrave

Por que eu cismo contigo?
Com abalos sísmicos dos teus umbigos?
Por que eu cismo com isto?
Cismo em criar um istmo
Entre Mariel e Miami
Me ama ou be my Amy.

You are so busy!
Em seus deslizes
Em seus Belizes
Moça beliz, o que me dizes?,
Ouçamos Dizzy
Ou façamos business?

Yo tengo dos hijos con el abismo
Tengo un par de hijos con este hombrecito
La chica se llama Greta
El  chico, Grito.
Pero nadie ni yo mismo
Llaman Coraje
Ate las viajes
En mis ojos
Pues yo no puedo
Salir de mí.

A vertigem
Nada tem de vertical
Implica no medo
De mudar radicalmente o ponto de vista
A vida mostra que o ofício
De despedir-se
É fácil
Porque não temos olhos nas costas
Difícil
É despir-se.

You are so quiet
E eu tão inquieto
Já não sei ao certo
Se sou uma costela de Torquato Neto
Ou constelações sobre os sem-teto.
Um Thunderbird 66 veloz num deserto
Não se choca com nada, só com meus versos
A vida passa e eu te peço
Veja meu rastro e não meu resto. 

sexta-feira, 22 de julho de 2011

#62 - Calle Sarmiento


Para Thâmara Malfatti.  

Bela norteña dos olhos de azeviche. Mais negros que o piche. Com a fragilidade do olhar de Lillian Gish. Mais humilde e bela que a porteña soberba de sobrenome Cavendish. Eu lia Jabès traduzido, enquanto você cantarolava em íidiche. Sabe que eu não gosto de queijo, mas aceito um beijo seu com gosto de chancliche.  Carrega no olhar a ternura de Ernesto Che. Comigo de San Nicolás a Almagro a pé, sem coche. Y tu fija, callada, enquanto eu balbucio palavras aladas. Que tudo mais se lixe. Se pra mim, teu olhar se espiche. E a história cochiche com a estrada. E capriche num fim nosso de mãos dadas. 


quinta-feira, 23 de junho de 2011

#61 - Estudos do Amor e sua Fixidez.








Vejo o varal com seus vestidos antigos dançando sob o vento. O amor não é a dança, nem o varal, nem os vestidos, tampouco o vento. O amor são os pregadores.








terça-feira, 7 de junho de 2011

#60 - Delivery Girl



Ouço tigres sobre timbres tímidos
Caçando com os corações baldios 
Tropic Men que hoje suam frio 
De rostos tristes que já não tem brio 
Quieren la plata
                          que já não vem do rio
                          que já não vem do rio


Olhe pra cima e veja rostos bobos 
Olhe pra si enquanto não se encobre 
A abocanhadura dos velhos lobos 
É engolida pelos novos lobbies 


Há mais perdidos que perdizes
Há mais luzes que lucidez
Se tu me amas por que não dizes?
Enquanto o sol incide
                                  sobre a minha tez
                                  sobre a minha tez


Ouço motos sobre motes mórbidos
Fugindo para lívidos confins
Carregam rins de homens ruins
E big mac´s, Imac´s dreams
Dizem que em Cuba:
                                 only rice and beans
                                 only rice and beans

Olha pra cima e veja o céu nublando (e tu não vens!)
Olhe pra si enquanto não te choves (com olhos de nuvens!)
A voz do homem que segue cantando (E tu não vais!)
É a foz de um rio que tudo absorve (E tu que me entregas as notícias com olhos de cais)

Há mais calibres que colibris (teu olho cais)
Há mais delivery que domicílios (teu olho trai)
Se tu me amas por que não sorris? (teu olho traz)
Enquanto o sol nasce
                                  sob seus cílios
                                  sob seus cílios.
um estribilho, um estribilho.

terça-feira, 10 de maio de 2011

#59 - Muybridge

                Muybridge Race Horse Animated. (Uma das experiências de Eadweard J. Muybridge, fotógrafo inglês, inventor do Zoopraxiscópio, da película de celulóide e um dos precursores do cinema)
I
Sôfregos vocábulos 
            em 
Lôbregos estábulos
Cavalos resvalos não correm
No páreo
Dormem mudos com aquela excentricidade alteada
E sonham com pégasus voando acima
Dos chapéus panamás.
Enquanto o poema relincha afaz
Na respiração do thoroughbred vencedor
E se cala num silêncio marinho de moças
Comendo ananás
De vestidos verde oliva a espera do jóquei campeão
Sob o vitorioso clamor
Da êmula e acrimoniosa multidão 

II
Sobre eqüinos pastando numa relva dançarina
Sobre eqüidistantes trilhos abandonados
Sobre esquis descendo glaciais colinas
Sobre esquinas apertadas da álgida Belgrado

Apóiam-se as minhas pernas invisíveis.
Enquanto as pernas do mundo pisoteiam meu léxico paralítico.

Mas com o destino de um cavalo selvagem ainda não montado,
O poema inicia seu caminho
Fremindo dorsais
De aleijados.

III
Monta o potro negro lá fora 
E beba a água lancinante
Da tua coragem
Tome atenção às tuas natações internas
E anote as exterioridades
Como um pensamento quando esbarra 
Num cajaleó1 no ar e funde o céu e o mar
Num azul excelso.

Deixo para ti 
A ponta da lança nos olhos
E um buquê de broquel.

Não vou, minha vida
Eu fiquei aqui
Preciso repartir-me em múltiplas partidas
Não só naquela que levou a ti

A gangrena púrpura da perna do homem cansou de inflamar
E secou-se numa paisagem constringente
Numa caatinga vazia de acepções.
Meu pai não anda faz dois anos
E eu deixei minha poesia nas pernas de um viajante vernante

Não há palavras para ti
Há um deserto branco e austero
Para que descubra as despedidas.

1- Peixe-voador que habita o nordeste brasileiro. 

terça-feira, 15 de março de 2011

#58 - Antes que a palavra me convença




Para Thâmara Malfatti

Temo ser exceções sem açucenas. Ser o assunto eleito por palavras gris. O Bruno pode passar com sua voz rochosa, pois não será visto pelos homens vis. No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra, e era alguém que não me lê, mas que me diz. Soletremos nossa existência em deveraneios febris. Deixa de me ler enquanto num tour, nos perdemos ilegíveis  pelo português de Kuala Lumpur. A saudade é o nuestro albur. Comprei uma concessionária de vozes marinhas, mas eu tenho ouvido tapado, desde aquele abril (A vida é a flor torta que floresce na chaga, e o poema, a que floresce em fuzil). Enquanto ouço o revólver que devolve o tiro ao peito, de onde ele nunca, jamais saiu. Eu não levo jeito pra me atirar de parapeitos, não às três da tarde dos meus vinte e sete. Não serei o funcionário da felicidade de poucos cafajestes. Mas nem tampouco o servo da palavra excelsa. O débil relator, pobre de cotidianidades lexicais e sonolências.  Me deixa caber na voz ensurdecedora das manhãs onde o sol nascerá iluminando o esquecimento, cimento de convalescenças. Me deixa passar antes que a palavra me convença. Me deixa te amar que é tão mais fácil essa doença.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

#57 - Lista de Desprendimentos Fluídicos

À Manoel, que talvez nunca me lerá, mas arvorece dentro de mim.

1- Manoel de Barros extrai poemas do barro, mas também de carcaças de carros.

2- De quem mora em Sapopemba, só a chuva lembra.

3- Escrever é submergir vitórias-régias e deixar que elas retornem naturalmente a superfície com o tempo cerúleo do esquecimento.

4- O poeta é uma exceção com açucenas.

5- É naturalmente mais seco o tempo-de-dentro do casco do caramujo do que o tempo-de-fora que umedece as paredes nas quais ele se gruda.

6- Arvorecer em apartamentos estreitos e frios da Santa Cecília implica em galhos satisfeitos em tocar o rosa plúmbeo do céu de São Paulo.

7- Horizontes de prédios não prendem o tédio, prendem horizontes.

8- É preciso em algum momento da vida construir janelas que emoldurem paisagens onde não haja outras janelas num raio de 3 léguas.

9- A morte é um tronco grande de carvalho que vovô derrubou quando eu era menino, e que nos ensina até hoje a durar sob o limo.

10- O mar, assim como o amor só é apreensível senão uma parte, redil.

11- Pra solucionar um problema tem que conhecer sua cauda.

12- O Verbo está senão nestas páginas zebrinas, que disparam livres de predadoras sinas, mas num pampa acerbo.

13- Conceber um substantivo abstrato implica em adjetivar concretos.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

#56 - Azul e Trêmulo.


Eu no Cenote Sagrado de Ik Kil no México.

Sete homens esguios saem em fila do poema, eles são quase azuis, mon amour. São os leitores nunca lidos que esqueci no Mar de Savu. Meu Timor é um tumor tímido que arrecifa dentro de mim. Não me basta mais moças lindas e encabulados vocábulos sem fim. Quero mais filhos, mais folhas, mais fôlego, mais sins.

Beba os versos da minha soberba, moça bêbada de universos e reminiscências. Somos nós e os nós que damos que nos sustentam ante todas as ciências. Percamos paisagens distantes de climas amenos. Eu sempre sei um pouco mais do que antes, mas finjo saber menos. Pois escrevi 3 mil poemas e virei um demônio, minha flor. Ainda que tenha um metro e setenta: eu sou o amor!

Um rapaz afunda no submerso reino das palavras e fica azul, senhoril. Era eu com meus 16 anos mergulhando no Cenote Sagrado de Ik Kil. O deus Hunahpú contou-me da terrível solidão do escritor, e eu lhes avisei, mas ninguém ouviu. Meu México vai além do meu léxico e deságua na voz azul de um rio. Como o mar, o amor é apreensível senão uma parte, redil.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

#55 - Balada do Leste


                             Melro-preto morto. Campo dos Melros-Pretos é uma das etimologias do nome Kosovo. 

Da periferia da poesia ligo a minha motoneta/ vejo nascer a rosa no cimento, e a palavra no livramento/ quando empunho a minha caneta/ “The word like a sword” que rasga a estrada como uma espada reivindicando uma república como faz o ETA/ Enquanto que Platão queria expulsar da sua os poetas/ para que a beleza se submeta/ à verdade do filósofo; queria eu como o lisboeta/ Fernando Pessoa: povoar de poetas o planeta... ... Dou a partida sobre uma estrada de campânulas no Leste Europeu. Enquanto a imaginação do motoboy que liga sua CG na Zona Leste, em São Matheus/ restringe-se em como vai entregar os documentos, pagar as contas e comprar o remédio pro moleque que já nasceu/ Contaram-me que hoje em Kosovo uma família inteira desapareceu/ Na luz de uma explosão que apaga nos olhos teus... ... Ao fundo soam os latidos de cães aflitos/ que falam o único idioma universal, o do grito/ Nessa viagem segura da rima eu transito/ ao passo que o motoboy derrapa no trânsito e morre na Avenida Marechal Tito... “Lutaremos até a morte até que todos sejamos extintos”, gritou Kosovel/ Como o ranger de dobradiças que sou de fronteiriças portas ao léu/ entre uma sonhadora moça eslovena e um degradado bordel/ Entre o inefável, e as perspectivas de um pequeno céu... Estou sozinho no turbilhão de veraneios em praias de Varna/ Ao lado de uma Elisaveta mais moça e que a mais linda beleza encarna/ Estou banhado de um Mar Negro de solidões utópicas/ E um Mar Adriático de multidões distópicas/ E seco de minhas tristes trópicas/ Convalescenças/ Precisava dizer tudo isso em sua presença/ Te dizer assim encharcado/ olhando para seus olhos navais esverdeados/ seguido de um silêncio de uma década de segundos alquebrados... Caninos balcânicos abocanham-me as vizinhanças/ Entre mim e a moça eslava de vespertinas esperanças/ e seus cabelos flamejantes/ moça que não vende suas diferenças, doa seu semblante/ vítreo/ mais impenetrável que o ítrio/ em troca de uma paz manca, acachapada/ de algumas cercas brancas e águias bicéfalas engaioladas/ No retrovisor da motoneta, vejo os últimos cães me perseguindo, alguns são rubros, outros, cinzas. São cães de caça/ Minutos depois já são chamas, os outros, fumaça. Vejo a moça ruiva agachada, com seu colo translúcido e toda uma graça/ ao catar lírios/, algumas petalazinhas grudam nos seus belos cílios/ e atrás dela corre seus dois ou três alvos filhos... De volta à Avenida Marechal Tito, o corpo do homem no chão /Ao lado dele uma moça cujo choro é em vão/ Desacelero a moto para ver o homem, e um cão/ me persegue por alguns segundos, até cansar-se e virar um ponto triste e amarelo/ Mas seu latido me acompanha até Ferraz de Vasconcelos.