domingo, 28 de novembro de 2010

#54 - Divergências entre Eisenstein e Maiakóvski sobre as lutas de touros


Escrevo num tempo fervente, onde adolescentes ainda têm pernas arrancadas por bombas. Escrevo às sombras. De magueys e palmeiras. Contando a Martí que a prisão de Guantánamo é hoje tão famosa quanto sua Guantanamera. Escrevo num tempo vendido, onde os jovens com pernas estão convencidos de que o futuro está em servir na guerra das multinacionais. Ou na paz promovida por seus trabalhos sociais. Jovens vegetarianos, terminantemente contra o assassínio de animais. Abominam touradas, bolsas de couro e a Guerra do Iraque. Mas toureiam sem regras nas bolsas de Dow Jones, Standard & Poor, e Nasdaq. Escrevo num tempo imorredouro. Eisenstein divergia de Maiakóvski quanto à luta de touros. Quanto à outras lutas, convergiam vindouros. Lady Brett em Pamplona, tão fútil e luxuriosa com seus cabelos louros. Mas conhecia belezas maiores que seus diamantes e ouros. Daquelas que fervem aqui dentro num instante. Como quando houve um festival de San Fermin, em mim depois que te vi tão bela, passante. O toureiro venceu, mas o torneiro foi pro abate. Os maiores artistas hoje são Banksy, Francis Alÿs, Usain Bolt e o cineasta chadiano Mahamat. E claro algum haitiano que cantarola sobre escombros sobre seus ombros, e que soterrada, nunca será descoberta sua arte. Enquanto deixo de escrever para ler poemas de uma moça palestina de olhos cor de abacate. Esqueço-me na multidão entre o moscovita e o mascate. Até o touro atrair-se por essas letras cor de escarlate.