sexta-feira, 13 de agosto de 2010

#50 - Contrabando poético de mulheres palestinas




Troco hoje minhas palavras pela verdadeira poesia, a de passeio, das israelenses Illana Hammermann e Daphne Banai. Ambas caminharam, além do flaneur baudelaireano, numa marcha comtemplativa pela liberdade, ao contrabandearem mulheres palestinas para Tel Aviv para que conhecessem pela primeira vez o mar.

"Quando uma lei é desumana e racista, desobedecer torna-se uma obrigação moral", disse Daphne. E completou: "Senti uma sensação de libertação naquele dia [..] "A ocupação e o enclausuramento da população palestina em enclaves na Cisjordânia me fazem sentir em uma prisão".

Troco minhas melancolias pela felicidade de Daphne, por sua libertação, sua greve em si mesma, sua rebelião contra a Lei. Ao adentrar a porta da Lei, sem medo de quem a guardava - como relutou por toda a vida o personagem de Kafka - Daphne e as mulheres palestinas (as últimas clandestinas) não só promoveram um grande ato político não violento contra o preconceito, a guerra, e a dominação humana; mas antes um ato digno, e portanto, belo. Se a saída para o Mar é uma das grandes causas dessa infindável guerra, por que o mesmo Mar não pode ser uma saída para a paz, mesmo que instantânea e sentida antes aqui dentro?

Faço um voto de silêncio poético para transmitir meu respeito e admiração por essas mulheres, e deixo falar com muito mais propriedade, a poetisa jordana-estadunidense Suheir Hammad, que declama abaixo um belo poema contra a ocupação da Palestina:

Nenhum comentário:

Postar um comentário