segunda-feira, 19 de julho de 2010

#48 - Vinte e sete


                                                                                                 Robert Johnson

Com 27 anos morreram Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison, Kurt Cobain, Pete Ham, Kristen Pfaff, Pete de Freitas, Gary Train, Robert Johnson.

Mas eu fiquei. Não toco bem guitarra. Quisera ter tocado e cantado como Robert, em troca desses versos estocados.

“When the train, it left the station with two lights on behind
Well, the blue light was my blues
And the red light was my mind
All my love's in vain”


Ganhei muito amor da minha família ao longo dos meus 27 anos.
Ganhei trilhas, tijolos, terras.
Mas no meu vigésimo sétimo aniversário
Ganhei a impossibilidade de seguir sonhando.
É fato que nessas quase três décadas pouco fiz
Além de sonhar
O problema é que agora que quero acordar
E armar telhados babilônicos
Condenam-me a correr e a tapar o teto logo com o que tiver
Pois não querem mais enxugar-me depois que tomo a chuva.

Sempre tive uma única opção para fugir do utilitarismo dos meus ascendentes:

Ficar molhado de chuva e construir minha própria casa. Não só a que morarei com Clarisse, os livros e as contas.

Mas aquela que sobra espaço para eu continuar sendo. 

A outra opção é conseguir alguma posições no páreo e trocar medalhas por respeito e esparsas nuvens.

É manifesto que se não quero vencer como eles, não posso depender deles. Mas é triste saber que soterram tanto amor embaixo de pena. E que tenho que escolher um ou outro. Pois sei que não vencerei mais hollywoodianamente da forma que impressionarei a eles e a mim.

Clarence lembra-me que a felicidade não se compra, mas eu lhe replico que a vida não é wonderful.

Chamam-me pateticamente de Cícero, o porquinho mais preguiçoso, pois nem sequer ainda tenho minhas telhas, quando na verdade conheço profundamente os ensinamentos do Prático. O problema é que nas frustrações tenho vontade mesmo é de ser logo o Lobo.

Contudo o mais triste e desleal é que tive que construir todo esse reino invisível sozinho. Eles nunca colocaram flores nas minhas janelas para que possam localizar-me num colorido visível sobre o etéreo livramento. Nunca.

Pois deram-me de comer, e alguns excessos, lhes digo!. Mas até os que estudaram lingüísticas confinaram-se na Pragmática. Se ainda lessem Dewey ou Rorty e fossem pragmatistas estadunidenses, eu lhes diria que “deve-se tomar como verdadeiro aquilo que contribui para o bem estar da humanidade em geral, considerando o mais longo prazo possível“.

Mas dizem a mim: Vá direto ao assunto Bruno!
E eu respondo-lhes: todo amor estocável é perecível.

5 comentários:

  1. Parabéns, Bruno! Belo post! Feliz aniversário! Esqueci de te dar os parabéns no dia.

    Abs!

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  2. Para: "Bruno Villela" "todo amor estocável é perecível. "

    Bruno Villela

    querido...que lindo esse manifesto do 27.
    ou dos.
    que frase pra encerrar, pra fechar. ou escancarar.
    que coragem! que homem!

    um bj em ti com todo meu carinho e minha admiração pela poesia-tapa-na-cara! bel

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Cara, adorei a tua reivindicação do ser para ser. "Todo amor estocável é perecível" é uma das coisas mais fortes que li nos últimos tempos. Parabéns pela tua lucidez. Parabéns por este ritmo que vai conduzindo ao céu, mas oferece o abismo. Cara, é isso que precisamos: o fim da hipocrisia. Muito bom te reencontrar. Voltarei mais vezes, pois tua escrita exige uma atenção especial.

    Um abraço do
    Éder.

    PS: Obrigado pela visita lá em casa.

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  5. mtos parabéns :DDD parece q cristo morreu aos 33 por isso ainda tens mto tempo pela frente ;DDD

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