quinta-feira, 17 de junho de 2010

#45 - Arenas Hemingway

Prisão de El Morro, Cuba.

Ernest, devo confessar-te que também tenho
minhas grandes pretensões como escritor.

Contudo não passei uma temporada livre na Europa
Poderia confiar-te que tampouco,
Uma estadia preso em El Morro.
Isso me leva a duas lições:

A primeira me ensina a inventar a viagem aqui
E romper fronteiras das mais confinadas estrangeiridades
O que leva a abaloar-me em mundos ainda mais respeitáveis

Mas a segunda diz-me sobre a miséria
De ter que esquecer pelos ares
Fugas espetaculares.

Não basta visitar o que em mim há de Ushuaya ao México
Se um Reinaldo Arenas acordar engaiolado no meu léxico.

Enfim,
Reservo-me a abrir e fechar janelas aos poucos
(Enquanto que o afogado sou eu)
E ensaiar tudo debruçado no parapeito.
Tuas viagens, os mares,
Os mares
E as prisões de Reinaldo,
Mas continuo sufocado dentro da minha própria pequenitude
Receosa de tornar-se grande como teu Peixe-Espada ou como teu Velho
Para depois terminar pescada por qualquer um.

Minha pequenitude, furiosa e sequiosa como teu touro bufante em Pamplona
Mas com o eterno medo da tirânica multidão.

Nenhum comentário:

Postar um comentário