sexta-feira, 12 de março de 2010

#43 - Poema do Fim da Linha



Meu pai, 1955.

Não adianta pegar na minha mão senhor gerente. Numas vezes saem asas, noutras letras ferventes. Sou sozinho, edito eu mesmo meus livros sabia? Mas que maçada quererem que eu seja da Companhia!

Porque sou vil, vil no sentido mais infame e mesquinho da minha Villelice. Se esta virtude existisse. Contumaz e soturno, neto de Renato, filho de Renato, renasço-me Bruno. Mais um Villela que não quer vencer de bolso cheio. Não se voa pesado, nem se anda guiado pelos que tem receio.

Vamos leve e soltos na trilha, meu pai, com sorte. A ansiedade do poeta é pela paixão, não pela morte. Eles pensam que mandam, controlam, e que são mais fortes. A viagem que planejávamos pro Sul é aqui e não há quem aborte. O Sul de toda a mesquinharia do mundo tornou-se o meu norte. No trânsito, no trapo, no trampo, no trato, o corte. Mas enquanto durar minha fome, cantarei teu nome até que o tempo me entorte.


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