quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

#40 - O CINEMA ANÊMICO

Não me comove Vertov, com seu cine-olho. Nem Eisenstein, com seu cine-punho. Há tempos que ando com o olho roxo, com um cinema coxo e de rascunho. Há tempos que não represento ninguém nem retrato ou tampouco reproduzo. Presenteio-te com minha presença e meu tato neste cenário de ratos e corações difusos. Olho-te do vitrô ondulado e teu olhar decupado parece retrô. Meio Ivens, meio Michel Brault, meio “assistindo western à tarde junto com meu vô”. Minha lente é vidraça rachada, mão entrecortada dada que alguém se cortou. Capto os olhos vermelhos da moça com pele de louça que o marido quebrou. Filmo pro cara que vende o filme pirata filmado em cinema. Com letras flutuantes legendadas na cara de amantes assistindo La Terra Trema. Haja visto que larguei a tontura da literatura e entrei pro ANEMIC CINEMA, instalando um neon: Que apresenta o filme onde giro a colher do sopão de letrinhas dado aos que dormem embaixo do Cine Odeon.