quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

#39 - Poesia de In-sur-gência Feminista

   
   Não lave, não passe, não cozinhe, não escreva
   Suje, amasse, vomite, grite
   Na página dos que dizem pra que não se atreva
   A escrever uma poesia triste

   Sobre o que desde sempre se sucede
   Contigo mulher, popular ou erudita
   Ele diz que até o poder, lhe concede
   Mas nunca lhe concede a escrita

#38 - O sequestrador

Quem escreve, se atreve. Trancado dentro do porta-mala do Uno. Escrevo meu réquiem em rap oportuno. Quem grita agora, sou eu mesmo, o Bruno. E o atropelamento não é na rima, é no Passeio Noturno. Mas quem guia o volante é você, te dei minha caneta, então escreve pra eu ver. Escreve: Pra eu viver.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

#37 - Morro se trabalho, se não trabalho morro


Morro se trabalho
Se não trabalho, morro
Eu preciso ter cascalho,
Ou ser logo forro?

Se escrevo, passo fome
Se viro escravo, você me come
A carne, o sonho e o nome.

Mas estou vivo e ainda escrevo
E só contra mim concorro
Quanto menos eu for longevo
Mais breve serei forro
Pois morro se trabalho
Se não trabalho, morro