quinta-feira, 26 de novembro de 2009

#36 - Costureiras de Monlevade


Costureiras sem patrão de Monlevade
Costuram meus arrabaldes
Sem cercanias, sem ponto final.

Onde a poesia
Não se faz da trama entre a agulha e o sisal
Mas sim de dedos tramados sem medo e dedal

Não costurem mais as botas e a farda rota dos caudilhos,
Não mais minhas senhoras!
Nem deixe que as fábricas empreguem os vossos filhos
Ganhando 3 centavos por hora!

Que eu também não costurarei meu ideal em bandeiras,
Sejam de papel ou tecido
Quem quiser que o leia nas entrelinhas, por entre mãos dadas, roseiras
E corações partidos

E lutemos p´ra que o tempo não teça o olvido
Do som dos teares junto à canção
Esta que destece a cada verso, o tecido
Das amarras que nos prendem as mãos

Um comentário:

  1. Muito legal. Gosto de poesia assim, co verso branco, quase uma prosa. Essa leveza é difícil alcançar.

    []s

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