terça-feira, 8 de setembro de 2009

#32 - Para Roberto Piva


Voam os pelicanos carregando no papo o gosto de peixe morto dos meus azedumes poéticos.Apodero-me da mão do peixeiro para escrever essa sanguinolência marítima e insalubre, enquanto a mão do pescador ocupa-se em realizar poemas atlânticos. Não tenho sentimento atlântico do mundo. Estou afogado numa poça, com os pés mergulhados na lama, com caranguejinhos saindo pela minha boca e ouvidos, enquanto que minhas mãos ocupam-se do ofício de escrever tubulações intabuláveis onde escorre a mesma merda ultrapassada que ninguém ainda quis engolir.Mais que os peixes, quero os girinos. Contra a limpidez dos lagos, a favor das águas turvas, contra os mares, a favor das poças rasas. Quero o gotejar continuo do que se esforça pra fluir no meio de sangue e pedra..

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