terça-feira, 8 de setembro de 2009

# 25 - Passarela da Rua Capistrano de Abreu a Rua Cruzeiro


Trago nessa linha o cerol cortante dos que gritam pra dentro. Empino um poema sem letras no céu, estampado com multicolores, legível somente às crianças analfabetas que trançam suas pipas bravias na minha, num duelo onde o único poder é o do vento.


Trago a beleza como uma eletricidade que percorre o fio que vai das minhas palavras as tuas. O fio elétrico que leva a luz à tua casa, ao teu peito. Trago a beleza do homem que vive da venda de fios de cobre. O homem sem cor, cor de pobre, da mesma cor do seu cobre. E que morre eletrocutado nos tristes trilhos da linha sem versos da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos.

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