terça-feira, 8 de setembro de 2009

#29 - O Desabamento do Samba


Eu conheço o samba no assombro/ Na minuciosidade original dos seus escombros/ Na serpente da sagacidade sobre os ombros/ Serpenteia a perna bamba na saga pela cidade cheia de calombos/ Improvisando que eu zombo/ Da tábua que não fez mal, de degrau, no lugar do rombo/ Imprevisível a mesma que nos serviu de tombo/ Das escadarias que ela sobe balançando os lombos…

Feliiiiiiiiiiz é ela!
Feita de ventania
E eu que sou feito de favela
Favela que por ti desabaria!

Ando todo dia só na minha companhia/ A serpente do caminho me envenena à serventia/ Minha parede e meu esqueleto são de alvenaria/ E minhas veias entupidas são escadarias frias/Quem me daria mais do que um dia? Nessa chuva que não mais estia/ Pelas escadas escorre sangue envenenado, não mosca do meu lado, pobre os meus olhos que desabam alagados/ E os meus pedaços pra todo lado, arrastado, endurecem esse samba liquidificado/

Feliiiiiiiiiiiiz é ela!
Feita de ventania
E eu que sou feito de favela
Favela que por ti desabaria!

Ilustração de Marcílio Duarte, 29 anos, sobrevivente, pai, músico, ator e designer

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