terça-feira, 8 de setembro de 2009

#31 - Não me importa muito ser lido

Theodore Watson e todos que estavam em Rotterdam nesse dia escreveram o que quiseram, onde quiseram.


Não me importa muito ser lido
Se são tantos os que passam que nem sabem ler
Quero a leitura dos esquecidos
Não dos poucos que exercem a profissão de esquecer
-
Não me venha dizer o que devo escrever
Se escrevo sobre a solidão
de quem não se escreve no mundo
E sobre quem escreve a fundo
Sobre o mundo que só de dentro se vê
-
Você que me lê então saiba que procuro abrigo
Abrigo aos que cometeram o transfúgio
De quererem escrever muito além do umbigo
E ter na solidão do outro o refúgio
-
O que então teria a dizer-te se não há pra nós um futuro?
Além desse último conselho
De quem que te leu do espelho
Que as pedras do passado transformaram em muro

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