terça-feira, 8 de setembro de 2009

#1 - O menino sem cobertor

Menino engraxate, La Paz - foto de Bruno Villela

O menino sem cobertor sem linha sem travesseiro sem travessão, mas que a cidade encobre. O menino sem cobertor, que é sem cor, cor de pobre, com a cor que é do cobre. Que o teto não cobre. Que vende dos postes os fios de cobre que já não aquecem com a luz mais os nobres. O menino sem cobertor: É pra ele que eu teço esses fios, essas linhas, sei que não aqueço suas duras mãozinhas, mas trago nas minhas, todo o calor do meu peito e todo meu respeito ao herói que não vive e com o nome esquecido e sem glória, vende ao outro que escreve num lar aquecido – em troca de pão amanhecido – toda a beleza da sua história

Um comentário:

  1. "O menino que encobre, num fio de cobre quando a cidade dorme,torna-se uma alma de nobre.Este mesmo menino que vós aquece as duras mãozinhas delicadas, quando num sutil suspirar as lágrimas se alforam por fora dos olhos que sem perceber enamora a foto que hoje te faz ser uma pesada lembrança quando nos arudos caminhos que dera por entra Bolivia - Peru, tornar-te um homem que mesmo com pouco idade sente na alma a dura realidade"

    Abraços àquele que resolveu escrever e tão belamente sinto com pesar suas curtas linhas e me faz regozijar o coração deste jovem poeta que sois.

    Ingo Kuschel

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