terça-feira, 8 de setembro de 2009

#13 - Religião




Eu não tenho ninguém
Mas alguém me dê ouvidos!
Faz um tempo que não ando bem
De tudo tenho desistido

E até a minha única religião mesmo tão frágil
De acreditar que serei lido
Já não lembro mais da prece ou do presságio
É bem melhor ser esquecido

Mas quando volto com todo esse esforço
De escrever de novo a qualquer preço
Torno a olhar o alvoroço
Dessa cidade onde eu me esqueço

E lembro feliz, mas com tamanha saudade
Mesmo sob um tempo tão espesso
Que Augusto dos Anjos se foi na mocidade
Mas eu ainda permaneço

Matar-me? Não o farei, eu lhe ressalto
Pois resisto com um horizonte altivo
Na crença de que o grito sai mais alto
Enquanto ainda eu estiver vivo!

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